quinta-feira, 23 de julho de 2009

Papel da escola

A nossa sociedade é tão livre e permissiva e as pessoas têm tantas opções, que não podem tomar suas próprias decisões eficazmente. Elas querem que outras tomem a decisão e a seguirão.
O comodismo, a falta de idéias e sonhos, o individualismo, a pobreza, a fome, o desemprego, a submissão, a alienação e o não-pensar, transformam os indivíduos em súditos, que passam a ser escravos e logo se tornam “gado”.
Aquele que pensa é louco, porque questiona. Louco é aquele que pensa. É preciso interrogar a realidade, assim como interrogar-nos sobre a realidade. “A realidade é mais complexa do que imaginamos”.
Não podemos cair na besteira de não pensar, de não interrogar a realidade. Precisamos ser educadores cidadãos-protagonistas para formarmos educandos cidadãos-protagonistas. Temos de formar o sujeito. Aquele que não é objeto, que não é coisa, que não é súdito, que se relaciona com autonomia, que não se deixa manipular ingenuamente, que é protagonista de sua própria história. Que não se acomoda, mas que se incomoda com a injustiça e incomoda os malfeitores. Esse é o papel da escola: instruir, formar, provocar, instigar, incomodar, transformar, libertar o sujeito de sua própria ignorância política, econômica, social e cultural.


(Volpone de Souza, Professores da Alegria,
Berto Editora, 2007)

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